terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Começando o dia.

Meu dia começou a tarde.
E se seguiu pesado e sonolento durante toda a tarde, até a noite cair um pouco menos pesada. Na verdade nem me lembro o que fiz.  Eu lembro de chuva, noticiário, estacionamentos caindo e toda aquela coisa de quando chove.  
Eu tenho um problema quando eu fico sem trabalho - eu simplesmente não tenho mais nada para fazer da minha vida.
As vezes as coisas são um saco. As coisas são amargamente previsíveis, e as pessoas por sua vez, são terrivelmente imprevisíveis. Nesse momento eu me pergunto se estou escrevendo de acordo com a nova ortografia. De qualquer forma o café nunca me pegou de surpresa. Eu acredito que a grande diferença entre o café, as pessoas e as coisas é que o café perde suas propriedades originais quando você ferve a água, e as pessoas simplesmente não tem propriedades originais. E nem adianta colocar açúcar. E as coisas... bem, você não pode beber as coisas, né.
De qualquer forma, meu dia se extendeu. Até que eu resolvi sair. Antes de sair eu recebi conselhos sobre não morrer, não estar em engavetamentos, em tragédias, em dilúvios, em tiroteios e sobre não cometer crimes e como pode eu querer sair numa chuva daquelas.
Desci a rua Homero Roxo com minhas botas respingando água das calhas e reparei que por mais que o lugar não seja um subúrbio, era mais deprimente que um cortiço. Peguei um ônibus até o metrô.
O metrô sempre me deixou fascinado. Talvez pela época de loucura que eu frequentava esse meio de transporte mais assíduamente, mas por algum motivo andar de metrô me lembra ter alucinações. 
Dormi no Jabaquara. Acordei no túnel, dormi de novo, acordei na Conceição. Tirei uma foto com o celular. Acordei não sabia onde. Acordei na Praça da Árvore. Desci e atravessei o corredor gelado até entrar na rua Gravi. Quando subi a escada da academia estava tudo escuro, com homens recolhendo tatames. A chuva tinha causado goteiras, e iriamos lutar no molhado. Eu sempre sou o menor, em todos os lugares que eu vou. Por uma combinação do meu próprio tamanho com o fato de eu gostar de fazer coisas que não são pro meu tamanho. 
Boxe simples - jab, direto, cruzado, upper. Combinações. Calejamento de coxa com combinações de jab+direto, quebramento de joelho, como tirar alguem de combate e coisas do gênero. Calejamento de antebraço, hematomas, alguém dizendo que eu aguentava muito bem.
Treinamos com facas, pontos moles - carótida, carótida, desce cortando o esterno, corte na barriga, testículo, estocada na artéria femoral, corte ascendente, pescoço, olhos, Xis, subclave.
Falou-se sobre silenciamento de sentilelas. Se você estocar uma faca no rim de uma pessoa, a vazão de sangue é tão grande que ela morre em 15 segundos. Segure ela pelo nariz e tape a boca antes de fazer o ataque.
Uma estocada na base do crânio a pessoa não tem nem tempo de emitir algum som.
Vivendo e aprendendo.
Continuei meu dia que ja era noite seguindo ao encontro do meu primo. Minha mãe comenta que a família não existe mais. Comi um hamburguer. Relatei paranóias. Bebi coca-cola, reclamei da vida e as coisas de sempre que me fazem sentir mais vivo. Mais um ônibus. Nós não iríamos dormir.
A noite acabou de forma esplêndia, tão boa quanto Deus poderia fazê-la.
Não dormi, mas acordei na Avenida Paulista, as 6 horas da manhã. Andei, hesitei, tirei uma foto com o meu celular. A cidade parece mais bonita as vezes e fiquei imaginando como eu me sairia como um sem-teto. Cheguei a conclusão de que não me sairia bem e iria cheirar mal. 
Comprei crédito de celular e um livro. Tomei mais café, liguei para umas pessoas e ninguém atendeu. Acho que eu estava incomodando.
Acordei no ônibus.
Acordei em casa no sofá e cheio de hematomas e com a boca aberta ainda de botas e gelado.