sábado, 15 de setembro de 2012

Amor e carne

Ele estava a cinco passos de distância da porta. O dia estava quente e seco, a terra amarelada do chão fazia subir uma poeira que secava os olhos e a boca e fazia nosso nariz sangrar.

 Eu podia ouvir cigarras cantando, e me questionei por um segundo se as cigarras cantam durante o dia, ou se era um zumbido no meu ouvido. Minhas mãos escorregavam no chão de terra amarelada enquanto eu me ensurdecia com o zumbido agudo nos meus ouvidos e meu nariz sangrava. Ele estava a cinco passos de distância de mim, deitado e cansado. Mastigando.

Meu melhor amigo me observava escorregar no meu próprio sangue enquanto ele mastigava um pedaço do meu braço. Amigo é pra essas coisas. Enquanto eu sentia meu corpo inteiro latejar, eu ficava mais tonto a cada pulsação. Eu não conseguia diferenciar se era dor ou calor, se estava queimando. O dia estava seco e quente, e eu sentia frio e escorregava minhas mãos na terra amarelada do quintal. Ele é um amigo legal. Nem considero isso uma traição. Ele estava mastigando um pedaço do meu antebraço, um naco de carne que ele tirou enquanto eu tentava proteger o meu pescoço.
Minhas mãos escorregavam no meu próprio sangue enquanto meu corpo latejava enquanto eu olhava o meu rádio e o meu úmero tilintarem brancos no meio de um emaranhado de fios de carne e sangue. A imagem de um açougue e uma pizza me vieram à cabeça. A mordida de um dobermann é de 1.8 toneladas por centímetro quadrado. Dá pra arrancar o seu braço se ele tiver vontade. O exército de Hitler usava esses cães para fazer patrulha e torturar prisioneiros. Mas ele é o meu melhor amigo. Sempre foi fiel. Acho que nunca deixou de ser.
 Enquanto ele mastigava um pedaço do meu braço e eu delirava com cigarras e açougues, eu pensava em ligar para alguém, para a ambulância, chamar um vizinho, qualquer coisa do gênero. Não sei quanto tempo se passou até eu conseguir tirar as minhas costas do chão.
 Ele mastigava o pedaço do meu braço e eu me perguntava se ele viria pegar outro pedaço caso acabasse de comer. Ele dormia comigo. Assistia tv comigo. Sempre foi fiel. Lembrei que a cigarra canta durante o dia. Estava com vontade de desmaiar. Me olhava e abanava o rabo. Não sei se de nervosismo ou felicidade. Não sei se ele estava com fome ou se me confundiu com outra pessoa. Talvez eu não tenha sido um cara tão legal assim. Talvez eu tenha mudado tanto que ele me estranhou e me atacou pelo próprio amor e fidelidade que tem comigo. Aquele pedaço do meu braço que ele estava mastigando poderia ser na verdade uma prova de amor.

 Dói porque importa. Alguém que você ama levando um pedaço de você. Enquanto a poeira subia do chão e o meu braço se tornava uma mistura de sangue, carne e terra, enquanto eu estremecia de frio e calor ao mesmo tempo e meu corpo latejava, eu pensava que seria impossível sacrificá-lo depois disso. Preferia conviver com o cuidado constante que eu deveria tomar com esse amor fiel. O risco iminente de ser mordido no pescoço enquanto eu achava que iria me lamber. Sempre foi assim. Pensei que tive sorte até então, porque as pessoas não tem mordidas de 1.8 toneladas.

 De tantas relações de amor que tive, essa só me arrancou um pedaço do braço.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ia escrever sobre você de novo. Desisti.
Tenho perdido muito tempo com você.
Tenho perdido todo o meu tempo com você.
Me perdi em você. Perdi você. Agora me perco por você. Perco todo meu tempo com você.
As vezes perco meu tempo me perguntando se tudo isso é só perda de tempo. Será que você perde seu tempo comigo?
Isso não é sobre você. Isso é sobre eu tentando pensar em outras coisas.
Você está
Em todo lugar que eu não vou
Em toda noite que não durmo
Em todo plano que não concluo
Com todo mundo que não conheço
Em toda ligação que não atendo
Em cada mensagem que não envio
Em cada cama que não me deito
Em cada sobremesa que não como
Em todo tempo que não faço
Em toda hora que não estou calmo
Em toda sala sem barulho
Em todo abraço que não recebo
Em toda vez que eu desisto
Em todas as roupas que eu compro
Em todas alternativas que não escrevo.

latex

Eu me lembro bem.
Lembro de abrir a porta do carro, pisar primeiro com o pé esquerdo na rua, me enroscar com o outro, dar uma tropeçada, olhar para os lados e me certificar que ninguém viu aquilo. Eu me lembro do desenho sinuoso e escuro na rua já escura no asfalto já escuro onde o desenho cintilava com o reflexo das lâmpadas da rua. 
Lembro de tudo quieto, da brisa fria da madrugada, dos desenhos arredondados e alaranjados que as lâmpadas incandescentes faziam até dobrar a esquina, com um abismo de sombra entre elas. Comigo dentro do abismo de sombras. Com uma mancha escura entre meus sapatos, entre as sombras entre as lâmpadas.
Eu lembro de tudo quieto. Eu lembro do frio na barriga, da sensação de querer acordar de um sonho, da sensação de querer estar sonhando, eu lembro do esforço para acordar na minha cama e me sentir aliviado por estar atrasado para o trabalho.
Eu lembro do som dos caminhões nas ruas paralelas, da vitrine semi-acesa da loja de conveniência fechada, do apito de um guarda a 1km de distância, da minha cabeça a 40km de distância.
Eu lembro de olhar para o painel do carro indo para algum lugar vindo de algum lugar para fazer alguma coisa, quando um baque seco e uma turbulência que fizeram meus pensamentos passarem de uma fumaça densa diante de meus olhos que olhavam para um ponto imaginario, para se tornar um ponto de exclamação seguido de um calafrio. Aquela hora que você acorda no acordar. A hora que tudo deixa de ser um longo túnel esticado pela distração, para tudo virar vida real esfregada no seu nariz. Essas coisas acontecem. 
Quando o carro parou, lembro de abrir a porta, pisar primeiro com o pé esquerdo na rua, me enroscar com o outro, dar uma tropeçada, olhar para os lados e me certificar que ninguém viu aquilo.
Eu lembro do desenho sinuoso que a mancha do lado do carro fazia no chão. As vezes parecia um jacaré, as vezes fazia o desenho de uma mão nosferática que se estendia até o outro lado, as vezes eu não pensava no formato que ela fazia, naqueles cinco segundos que me esforcei para entender o que estava acontecendo.
Eu lembro bem do corpo no chão. Eu lembro do jacaré e da mão do Nosferatu desenhada no chão saindo por debaixo do corpo. A mancha que aos poucos se expandia e perdia a forma, se tornando um círculo vermelho e preto no meio dos círculos alaranjados da rua.
Eu lembro de um corpo nu, murcho e rosado. Um corpo com pele que refletia quase como o sangue no chão. Um corpo amassado como papel, amassado como um desenho animado atropelado por um carro. Eu lembro de cabelos loiros enrolados, entrelaçados no corpo morto e retorcido como uma camisinha usada. 
Eu lembro do frio na barriga, da sensação de querer acordar de um sonho, da sensação de querer estar sonhando. Eu me lembro de fraturas expostas, fragmentos de osso, arcadas dentárias, capas de gordura espumosa e amarela espalhada pelo chão, lembro de espartilhos e cintas-liga misturadas com uma peruca loira misturada com látex misturada com a grande interrogação que meus pensamentos viraram.
Me lembro de olhar para cima, e alguém ofuscado pelo brilho do círculo alaranjado da lâmpada incandescente gritando “ele acabou de pular”. Da ponte, eu digo. Ele pulou. 
-“ele não morreu da queda. alguns carros passaram por cima”.
Eu lembro do frio na barriga.
-“Isso acontece sempre, mas esse aí era pervertido. Solitário. Pulou com uma boneca inflável. Você precisava ver o barulho que fez quando o primeiro carro passou. Nem foi da batida, foi da boneca explodindo mesmo.”
Por algum motivo, eu lembrei do que eu comi no almoço.
-“Se eu fosse você, iria embora. Esse aí era pervertido, as pessoas passaram por cima de propósito, parece. Imagina que vergonha, morrer assim desfigurado e pior ainda, com essa boneca do lado. Imaginam o que vão pensar?”
Por algum motivo, eu lembrei do que eu andava acessando na internet.
-“Ele disse que era mais fácil trepar com uma boneca e se atirar de uma ponte do que achar alguém que não fosse maluca.”
Lembro de perguntar se atirar-se de uma ponte era uma atitude de alguém que não fosse maluca também.
-“Se é normal eu não sei. Só sei que não foi o primeiro.”
Lembro de dar dois passos e ver a sola dos meus sapatos desenhada no chão, um carimbo perfeito feito de sangue, gordura e cabelo de poliéster. 
-“Mas acho que ele pulou porque descobriu que era doente também. Bom, pelo menos com essa boneca junto, ele não poderia ser normal”.
Lembro de ter perguntado se não estávamos fugindo do ponto principal da coisa.
-“Olha meu senhor, você pode estar em pedaços numa rua escura durante a noite, mas se você tiver alguma coisa que te faça parecer um pervertido, é a única coisa que todo mundo vai lembrar.”

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um belo dia você acorda com uma dor no pescoço. Uma dor nas costas. Seus olhos ardem. Seus músculos ardem. Você tem dificuldades para se lembrar das coisas, você tem dificuldades para acordar. Você tem dificuldades para dormir, para engordar, ou emagrecer, dificuldades em chegar de um ponto ao outro, dificuldades em chegar ao ponto, você perde o ponto, perde tempo. ganha rugas.
Os dias passam, você respira fumaça, bebe água contaminada. Queima a pele do seu rosto pelos raios catódicos do monitor, acende um cigarro, se pergunta até que idade você vai sobreviver.
Pensa em se mudar para o interior. Pensa em parar de fumar. Pensa em comprar roupas novas. Pensa em matar alguém.

Um belo dia você acorda e se dá conta que está cansado.
Você se cansa da cidade, dos carros, das luzes. Você se cansa do lixo, das pessoas, do barulho. Se cansa de não saber para onde ir, se cansa de não ter para onde ir e precisar ir para algum lugar.
Você se cansa de não ter razão, de não ter caminhos, de não ter opções, se cansa de ver sua vida igual a de todos os outros, se cansa de ser de um rebanho sem pastor.
Você se cansa de chefes, deuses, impostos, moda, dinheiro. Você se cansa da sensação de estar desperdiçando seu tempo, você se cansa de não ter tempo algum para disperdiçar.
Você se cansa de viver em um mundo onde quem não está desesperado, está louco. Você se desespera com medo de enlouquecer. Respira fundo, acende um cigarro.
Você se cansa de não saber exatamente do que está cansado. Se cansa do "alguma coisa está errada" que paira sobre o ar desde uma época que você não se lembra.
Se cansa das avenidas, das ruas, das alamedas, das praças, do sol, dos postes, das placas de sinalização, das buzinas.
Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do "apesar de". Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do "a vida é assim mesmo". Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono.
Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar.

E você não para, até que esteja morto.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Insônia

Um copo de coca-cola ao acordar, 6 xícaras de café, uma torrada com manteiga, meio omelete, um gosto esquisito na boca e a sensação de não estar realmente acordado.
Se seu dia começa assim, ele provavelmente nunca terminará. Pelo menos era a impressão que dava. Ou a impressão que ainda dá. A impressão que o dia não acaba nunca. Que o ano passa num dia só, um dia muito longo e você com a sensação de não estar exatamente acordado. De repente tudo está amortecido. Você não percebe quando começa, e não tem previsão de quando termina. O tempo passa de forma peculiar. Você vê o sol nascer. E vê o sol nascer de novo. E vê o sol nascer de novo, e vê o sol nascer de novo.
Você liga a cafeteira.
Você espera. Acorda de tarde na cama com a cafeteira desligada. Acorda quando todos os prédios estão com as luzes apagadas e você só ouve buzinas distantes de algum outro lugar onde há pessoas acordadas enquanto os prédios estão com as luzes apagadas ouvindo buzinas distantes de algum outro lugar onde há pessoas acordadas enquanto os prédios estão com as luzes apagadas. A impressão que o dia não acaba nunca.
Você não percebe quando começa, e não tem previsão de quando termina. Uma sensação constante de déjà vu. De repente tudo está amortecido, e você ouve as buzinas distantes, a geladeira, olha o calendário, pergunta a si mesmo se já não tinha olhado antes, porque tinha certeza que não era quarta-feira. Você faz notas mentais. Lembrar que é quarta-feira. Se o dia começar assim, ele provavelmente nunca terminará.
As buzinas se misturam com o zumbido que se mistura com o gosto ruim na boca que se mistura com o café que se mistura com o calendário. Quinta-feira.
Pelo menos era a impressão que dava. Você tenta se lembrar das notas mentais, porque tinha certeza que era quarta-feira. Não é exatamente confusão, não é exatamente preciso, e você não está exatamente acordado. Pelo menos era a impressão que dava. Ou a impressão que ainda dá.
Um copo de coca-cola, 3 xícaras de café, os ovos acabaram. Você faz notas mentais de que precisa comprar ovos. E lavar a louça. Sexta-feira.
Acorda a noite na cama com a cafeteira ligada. Acorda com a janela aberta e a luz da lua amortecida por outras luzes de prédios de algum outro lugar onde há buzinas e cafeteiras desligadas. O tempo passa de forma peculiar. As notas mentais se misturam com o zumbido que se mistura com o gosto de café na boca que se mistura com a janela aberta e você se pergunta se hoje ainda é quinta-feira. Tem ovos na geladeira. O tempo passa de forma peculiar. Domingo.
Para onde foi o sábado? Você se pergunta se foi ao mercado na sexta-feira.
A impressão que o dia não acaba nunca e você não está exatamente dormindo. A impressão é que o ano passa num dia só, um dia muito longo e você com a sensação de não estar exatamente acordado.
Estamos em 2010. Você não percebe quando começa, e não tem previsão de quando termina. Uma sensação constante de déjà vu. Domingo.
Você acorda quando quase todos os prédios estão com as luzes apagadas e você só ouve buzinas distantes de algum outro lugar mas vê uma janela com a luz acesa do outro lado com alguém olhando para fora. Você olha para fora, olha para o outro lado mais longe, com a janela acesa, e faz uma nota mental.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ontem

Nasci por volta das onze horas da manhã de sábado, no ano de mil novecentos e oitenta e seis, num hospital do município de Guarulhos.
Gravidez de risco, disse o médico. Eu deveria ter nascido com três pernas, um olho só ou alguma coisa horrível do tipo. Eu sobrevivi, e minha mãe também. Tenho duas pernas e dois olhos não muito alinhados, mas sobrevivi bem.
Tenho poucas lembranças da minha época de muito muito novo. Quanto mais o tempo passa, mais as memórias vão se esvanescendo. Lembro de brincar no quintal, no canteiro onde minha mãe tinha uma horta. Eu gostava dos tatu-bola. Acho que eles não gostavam muito de mim.
Lembro de morar ao lado da casa do meu primo, e de brincar num terreno baldio atrás da minha casa. Lembro também de muitos machucados. Eu sempre estava com um corte, um roxo ou alguma parte do meu corpo doendo. Eu nunca fui uma criança travessa.
As vezes acho que meus pais pensavam que eu era autista, mas isso é só uma suspeita. Lembro que fui à praia, pela primeira vez. Eu disse algo como "é muito grande" enquanto corria para dentro da água, de roupa e tudo. A praia continua grande, mas meu intusiasmo sobre ela diminuiu drasticamente.
Meu quarto era maior. Tinha a impressão de ter um quarto do tamanho de uma quadra de tênis. Muito pela cor verde do carpete, das quais eu raspava meu joelho diariamente deixando marcas vermelhas e dolorosas. Quando você é pequeno, tem a impressão de que tudo é enorme, mas nunca percebe que no caso, você é pequeno.
A gente cresce e o resto diminui, logo o quarto não tem o tamanho suficiente. Mas nunca temos mais valor do que uma bola de tênis na quadra. A gente fica meio como a rede. Parado alí olhando a bolinha ir de um lado para o outro, as vezes acertando nosso saco.
Os meus maiores medos eram : Morrer de fome como os documentários sobre a África, Freddy Kruegger, ser engolido pelo vaso sanitário após dar a descarga (o que se transformou num pavor terrível sobre dar a descarga durante um tempo) e terremotos. Eu morria de medo dos terremotos. Posteriormente também adquiri um medo muito grande do filme O Exorcista.
Acho que fiz parte da parte ovelha-negra da família toda. E da minha própria família também.
Eu não dava a mínima para o Ayrton Senna, eu não ligava pros Mamonas Assassinas, eu não gostava de futebol, nunca soube o nome das marcas de carros bacanas, não sabia empinar pipa, fingia que assistia Cavaleiros do Zodíaco para fazer uma social com os amiguinhos.
Eu gostava dos meus bonecos. Tinha 3. Passava o dia inteiro em algum canto da casa inventando alguma história com eles. Algumas duravam mais de 3 dias, eu acordava empolgado para continuar brincando porque tinha criado uma história interessante.
Gostava de videogame, também. Ficava tão imerso, que mesmo após parar de jogar, ainda imaginava que tudo era um jogo de videogame. As vezes até me convencia disso.
Eu gostava de guerras, armas, coisas explodindo e pessoas morrendo. Quando eu era pequeno, eu torcia para que houvesse uma terceira guerra mundial. Minha mãe dizia que "a terceira guerra mundial virá, e a bomba atômica faria o juízo final". Você cresce esperando o juízo final que está sempre próximo, e ele nunca chega.
Sempre fui o menor dos meninos. Preferia os que não tinham vida social como eu. Eles sabiam inventar histórias muito mais interessantes e não tentavam me bater. Com 12 anos eu sabia de cor o nome dos modelos de armas mais usadas no mundo. Gostava dos monstros, dos vilões, dos garotos que metralhavam os colegas de classe nos Estados Unidos. Gostava de dinossauros. Tomahawks. Bússolas. Gostava de balas de goma, de café com leite. Gostava de boxe, de hamsters. Torradas e karatê.
Passei mais da metade da minha vida dentro do meu quarto.
Queria engolir o mundo com tudo que tinha dentro.
Você cresce e repara que já estava sendo engolido pelo mundo faz tempo.